segunda-feira, 2 de dezembro de 2013
Autora: Gih Monteiro
Esse é mais um daqueles momentos em que todos virão te perguntar "O que aconteceu?" e você certamente irá responder "NADA, NÃO FOI NADA". Agora vamos combinar, é nada mesmo? Claro que não. E no fundo sentimos aquela vontade absurda de dizer, não é nada - é só saudade, é só tristeza, é só vontade de abraçar, de beijar, de estar perto - E lá vou eu de novo, engolir a seco tudo o que eu sentia e responder sorrindo que estou bem. Sempre bem. Pra quê? Pra quê dizer que não estou bem? Porque contar os meus problema? Quem precisa saber deles? Deixa todo mundo pensar que estou bem, talvez eu até pareça estar.
Engoli tudo o que eu sentia sem mastigar. Nem deu tempo de digerir. Ainda está engasgado na garganta, como se a qualquer momento eu fosse despejar isso. Essa saudade, essa agonia que me dá ter sempre que dizer que está tudo bem, quando na verdade eu queria gritar a minha dor só pra ver se ela diminui. Lá vou eu, mais uma vez, colocar um sorriso no rosto e ser feliz por aí. Pelo menos é o que vão achar, é o que eu vou fazer com que eles acreditem. Estou bem, estou feliz. E ando por aí repetindo isso, uma hora talvez eu me convença. Talvez até eu comece a acreditar nisso. E mesmo que eu esteja perdida (o), que esteja dando tudo errado em minha vida, que eu esteja com mil motivos para chorar, você nao vai me ver derramar uma lágrima. Sabe porque?? Porque nao vale a pena, porque ninguem vai chegar e curar o que eu sinto. E se ninguém vai resolver porque eu vou contar? Porque vou demonstrar? Chega! Não me cabe o papel de vítima. E se me encontrar por aí, pode me perguntar se estou bem. Cada vez que respondo QUE SIM o meu interior se convence um pouco mais disso. E mesmo que eu não esteja, não convém falar, se eu não estiver bem, eu vou ficar...
De Caio Fernando Abreu
Exatamente assim. Pesada, sufocada. Ando com uma vontade tão grande de receber todos os afetos, todos os carinhos, todas as atenções. Quero colo, quero beijo, quero cafuné, abraço apertado, mensagem na madrugada, quero flores, quero doces, quero música, vento, cheiros ... quero parar de me doar e começar a receber. Sabe, eu acho que não sei fechar ciclos, colocar pontos finais. Comigo são sempre virgulas, aspas, reticências... eu vou gostando... eu vou cuidando, eu vou desculpando, eu vou superando, eu vou compreendendo, eu vou relevando, eu vou... e continuo indo, assim, desse jeito, sem virar páginas, sem colocar pontos... e vou... dando muito de mim, e aceitando o pouquinho que os outros tem para me dar.
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